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A Origem do nome dos bairros de Escada e Itacaranha

 

Foto: Camila Souza

Foto: Camila Souza

Itacaranha é um nome de origem indígena: Ita – Pedra, caranha – escavacado. A região banhada pelas águas da Bahia de Todos os Santos era de propriedade da família Brito, onde existia uma fazenda com suas terras dotadas de lendas e histórias indígenas e portuguesas. Algumas dessas lendas deram origem a nomes de ruas, campos de futebol, e também ao nome dos dois bairros.

Ao redor do casarão recentemente demolido, funcionava um engenho de cana-de-açúcar, e existia uma fonte de estilo barroco de águas cristalinas que abastecia toda a redondeza e uma lagoa conhecida por Lagoa Dourada.

Diz a lenda que os portugueses ao desocuparem o lugar, esconderam no fundo da lagoa um baú cheio de tesouro, preso a uma corrente e quando voltaram para buscá-lo a corrente havia se partido por conta do longo período debaixo d’água e o tesouro nunca mais foi encontrado. A partir dessa lenda se deu o nome da lagoa e do campo de futebol construído posteriormente no mesmo local.

A região, que no período pré-colonizador foi habitada por índios Tupinambás, abrangia também onde atualmente é bairro de Escada. O nome Itacaranha surge a partir de uma pedra com formato parecido com o de um arbusto. Reza a lenda que a imagem de uma moça bonita, Iá Iraporanga, aparecia em cima de uma pedra para os índios tupinambás que habitavam o lugar indicando o local onde havia maior quantidade de peixes. Dizem que foi nesta pedra onde o príncipe Maurício de Nassau atracou com suas tropas quando comandou a ocupação holandesa na Bahia.

Durante a colonização, os jesuítas como forma de catequização dos índios, deram a Iá Iraporanga o nome de Nossa Senhora de Escada: uma mulher vestida de branco, aparecia naquela mesma pedra a fim de auxiliar os índios durante a pescaria.

Nossa Senhora de Escada, que até o momento não existia no cânone da igreja católica, passou a existir no imaginário local. O nome foi dado porque em frente à pedra existia uma escada de pedra que ligava as águas do mar ao topo colina, onde Afonso Álvares e Lázaro de Arévolo construíram, no século XVI, uma capela com pedras de calcário que posteriormente serviu de refúgio para o Padre José de Anchieta e foi ocupada por Maurício de Nassau e suas tropas. Na parede lateral da capela, que desde 1962 é tombada pelo Ipham (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), há uma placa indicando a passagem dos holandeses: “Aos 16 de abril de 1638 aqui desembarcaram forças holandesas ao mando do Príncipe de Nassau”.

A capela que abriga em seu subsolo um dos mais antigos cemitérios da cidade, guarda os jazidos permanentes de vários nobres, donos das diversas fazendas que existiam na região. As missas são realizadas sobre as pedras de mármore.

As fazendas deram lugar a pequenas casas construídas para os operários das fazendas e das fábricas construídas após a abolição dos negros escravizados. E, com o passar tempo passou a caracterizar-se com uma das regiões mais populosas da cidade de Salvador.

Após a construção da capela, a antiga fazenda da família Brito foi divida em duas regiões: Itacaranha, região onde ficava o casarão, o engenho e a fonte; e Escada, local onde se localiza a pedra e a capela de Nossa Senhora de Escada. A Escada que deu origem ao nome do bairro foi destruída para dar lugar à linha férrea construída na década de 1890.

 

 

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Sobre Camila Souza

Camila Souza
Formação em Fotografia pela Cipó - Comunicação Interativa, através da Oi Kabum! Escola de Arte e Tecnologia Graduanda do Bacharelado Interdisciplinar em Artes - UFBA Moradora do Bairro de Plataforma Membro do Fórum de Arte e Cultura do Subúrbio

2 comentários

  1. Olá Camila.
    Esta foto da ponte ferroviária na enseada do Cabrito, Bahia de Todos os Santos, ligando a região de Lobato a Plataforma, é da terceira ponte construída nesse local. A primeira foi construída no início da ferrovia em 1860, por uma companhia inglesa, como, aliás, toda a ferrovia, desde a Estação da Calçada. A segunda foi construida e inaugurada nos anos 1950. Nos anos 1930, com a deterioração da primeira, uma ponte provisória em forma de arco foi construída sobre o Rio do Cobre, em frente à entrada do Parque de São Bartolomeu, por onde passava essa variante que deu nome ao bairro da Variante do Cabrito de São João. Quando menino, viajei muitas vezes por essa variante que tinha uma paisagem muito bonita, que guardo para sempre na memória. Obrigado pela atenção.

  2. Olá Camila
    Estimo que continue pesquisando e divulgando as coisas do nosso subúrbio.
    Nasci em Rio Real/BA e ainda pequeno, com 4 ou 5 anos, meus pais se mudaram para Plataforma, onde morei por cerca de 30 anos. Casei na Igreja de São Braz. Considero-me filho de Plataforma, onde tenho muitos parentes e amigos e sempre os visito. Conheço muito da sua história mas, como o espaço é pequeno, vou contar apenas um fato que pouca gente tem conhecimento.
    Você sabe que o nosso grande jurista, o Águia de Haia Ruy Barbosa morou em Plataforma? É isso mesmo, morou por cerca de um ano, entre 1871/72, na rua Almeida Brandão, na proximidade de Bate Estaca. Foi logo que se formou em direito em São Paulo e retornou a Bahia bastante deprimido com uma doença que os médicos não conseguiam descobrir. Em momento tão grave, seu pai, Dr. João Barbosa, por motivo de divergência política, caíra no ostracismo e com dificuldade financeira para se manter no centro da cidade. Em sua biografia, o ex-governador baiano Luiz Viana Filho transcreve trecho de uma carta do Dr. João Barbosa a Ruy em 22 de setembro de 1870:
    “Meu prezado filho. Hoje às 7,30 da manhã partimos para Plataforma, de mudança. Deus abençoe os sacrifícios que nisso fazem tua Irmã, tua Tia e teu pai. Ele se condoa de todos nós!”. Luiz Viana comenta: “aí, para manter a família e continuar liberal (referência ao Partido Liberal), organiza rudimentar fabrico de tijolos e telhas, indústria destinada ao malogro”. E continua: “separada da cidade por estreita faixa de mar, sempre varrida por uma brisa fresca, Plataforma era um lugar quieto, de poucas casas, convidando mais ao repouso do que ao trabalho, e início duma praia alva, onde os pescadores, à tarde, estendiam as suas redes”.
    Na verdade, Plataforma serviu como uma estação de cura para Ruy. Em 1872, conforme carta do Dr. João Barbosa de 11 de julho, um novo imprevisto na vida dos Barbosa, com a venda da propriedade em Plataforma e o retorno da família ao centro da cidade.

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